Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Lua


Danças irreais nos bosques orlados de prata
Os mestres convidam à escuta
Dos murmúrios ancestrais
Memórias de tempos ainda vivos
No coração da floresta
É tempo de aves nocturnas
Folhas húmidas ocultando
O que se pressente mas não se vê
O futuro vivo, mas ainda não revelado
Solta-te voz
Larga-te desses cães que te vigiam
Teima o teu olhar para onde a paisagem não acaba
Inspira o céu azul
Até que doa o turbilhão de vida
que dentro do peito te sorri
É agora que tudo começa
É agora que os sonhos são possíveis
O dia começa pela manhã,
tem tarde e tem anoitecer
E a noite existe, com a lua que brilha
numa dança fluída e circular.

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Alaska

Não há solução. Tudo tem ciclos de vida-morte-vida e eu não sou excepção. O meu tempo está a chegar ao fim e não vale a pena ninguém argumentar. Há muito que a minha boca o diz, mas eu nunca o tinha escutado com atenção. Não sei como esta viagem pode ser feita nos tempos modernos que correm, mas sinto que não me resta alternativa senão partir e fazer a viagem interior. Morrer, para aí, sim, renascer. Só espero que amanhã eu não me esqueça, e que amanhã não tenha perdido a força. Vou ter de deixar tudo para trás, a casa, o carro, as jóias e até os bens mais preciosos, que não têm culpa nenhuma do que se passa comigo, que só têm culpa de gostar de mim e sofrer com a minha partida. Mas não posso continuar a ficar por eles, foi o que sempre fiz e isso nada me trouxe, a não ser uma visão ténue e afastada das coisas. Não há nada a fazer, o meu coração não consegue mais, eu não consigo mais. Nem o trabalho, nem falar, nem amar, nem dar, nem receber. Só quero morrer e partir, isolar-me. Podem crucificar-me, precisar de mim, mas ninguém me entende, nem eu própria, e este último diálogo não pode continuar a não existir. Chamem desistir, preocupem-se, é natural, mas eu não consigo mais e todos têm de entender isso. Não consigo mais lutar. E porque para mim a vida não faz sentido assim, cada vez me odeio mais, cada vez me entristeço mais, não me resta alternativa senão despir-me e entrar no mar, sentir a asfixia e esperar que ao vir ao de cima, uma nova Catarina tenha nascido e pronta para vos amar a todos. Beijos.

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

News! News! Read all about it!

A minha 'lacha acabou de sentar na cadeira comigo, pela primeira vez! Pediu colo! Estou tão feliz que não podia deixar de partilhar.
"Love is only real when shared"...

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Cansaço...


Cansaço, nada mais há para dizer depois de dois dias como os últimos. Demasiado se sabe para um burrinho tão jovem, a carga é pesada demais. Desta vez vou morrer em chamas como de todas as outras e a carne borbulha de dor, dilacerada por movimentos perpétuos de ondas que embatem mas em nada refrescam o espírito. Quando chegará o dia de ir parar à praia virgem e imaculada e renascer de novo?

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Monstro das bolachas


Eu, tu, numa roda sem par. Será que existe mesmo um motivo lógico e prático para o desvanecimento do meu rosto? Se assim for, como podem as almas penadas sair à rua e ter a coragem de estar no meio das pessoas no autocarro, na fila para o pão, no jardim onde brincam as crianças? E se os montros no armário tiram as máscaras e apresentam um rosto familiar? Picabooo... Sou eu, vim-te comer!

Mais um baile


Hoje há mais um baile, mas outras máscaras irão brilhar. Não a minha, porque se partiu e o meu sapato de cristal ficou preso numa tampa de esgoto de onde teima em não querer sair. Minhas amigas, brilhem como as mulheres lindas que são. Estarei em casa a desfiar um rosário e a ver-vos sorrir de felicidade, enquanto afago o pêlo macio das minhas gatas e recomponho o xaile nos ombros. Assim é mais um dia na vida de uma mulher antiga.

Domingo, 17 de Fevereiro de 2008


Descanso.
Disse o que tinha a dizer e o meu coração pode finalmente repousar.
Boa noite.