É um pranto sentido o rio turvo de lágrimas
Que de meus olhos se aparta
Para minhas faces inundar
Quando pensava que tinha descoberto as regras da vida,
Vejo-me de novo perdida e sem deus.
O meu bicho lobo voou para longe, não o vejo nas faces que encontro, não o espero a cada esquina que torno. O meu anjo está sem rosto, sem luz definida.
E porquê continuar a vida, qual é este mistério que nos faz subsistir mesmo sem ter motivos para acordar de manhã? Porque não é o trabalho que me dá ânimo, não são as compras que me dão ânimo, não é esta era tecnológica e rápida demais que me dá ânimo. Não quero os telemóveis, as botas modernas, os encontros fashion no café do Chiado, nem sequer quero artistas. Quero voltar para onde o meu corpo é apenas matéria, as areias do deserto, a casca da árvore, a intensidade do sol e o sal do mar. Não consigo descansar. Não é aqui que quero estar. Não é esta vida que nem sei quando escolhi. Onde está o meu bicho homem para me levar, para me fazer sentir com sentido, onde estão as certezas, as convicções no amor? Por que é que eu não percebo nada? E porque não há ninguém para me responder? Porque me sinto tão só? Nasci para navegar para sempre sozinha? Não quero… Queria… amor, calor, folhas em ramos viçosos.
Bicho homem, és tu, ou sou eu? És ele, ou sou eu? Onde estás para perseguir a minha carne? Não consigo viver se não estiver a jogar contigo.
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