Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008




Sim, afinal ainda sei correr, ainda sei sentir o sangue a correr nas veias e a água com sal a passar nas guelras. O meu coração ainda bombeia e o meu sorriso ainda se rasga. Ao ver o vai vem das ondas, ao ver o calor da amizade, ao ver as minhas gatas a brincarem com uma bola improvisada, ao lembrar-me de um dia de sol em que estive nua na alma e fiz amor com o céu, ao ver uma mãe ir para a praia com os seus três filhos e o cão, ao ver uma flor a nascer no meu vaso de casa, ao ver a alegria da minha avó quando me vê, ao ver o rio ao fundo da rua do Alecrim, ao lembrar-me de um jantar a três na rua do coliseu, ao lembrar-me de quando a minha manga pegou fogo numa viagem para Mértola, ao lembrar-me do Bóris enjoado numa viagem de muitas curvas, ao lembrar-me de dançar ao som de 80's com um rapaz lindo de morrer, ao lembrar-me da minha mãe a sorrir e do meu pai a sorrir por a beijar, ao lembrar-me dos pirilampos a dançarem à minha volta e alguém me pegar na mão para dançar, ao lembrar-me de um lusitano a tocar gaita no topo do monte, ao lembrar-me de um misógeno que um dia me beijou, ao lembrar-me do sorriso terno numa poltrona da américa do sul, ao lembrar-me da chama de miúdos a fazerem música com o coração, ao lembrar-me da juventude aos 44 anos, ao lembrar-me das medalhas a tilintarem nas minhas ancas, ao lembrar-me de todos os meus manos e manas, filhos, mães e pais que fui descobrindo ao longo da vida e, ao pensar que, quem percebe o que escrevi, é quem esteve ao meu lado a trepar esta escada que é a vida. Bem hajam.

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